Devo tudo ao devaneio.
Devaneio me resolve.
Amei-o desde o início,
ao deparar o primeiro
chato fazendo comício
em meus ouvidos tão jovens.
Veio então o devaneio
e voei até Varsóvia.
Veraneio sempre à mão.
Meu recurso. Meu recreio.
Usufruo sem receio
de que alguém me desaprove.
Provo todo devaneio,
sobretudo quando chove.
Devaneio me absolve,
sobretudo quando odeio.
Livro incrível que releio
num banheiro invisível.
Freio ao tédio que revolve
um calibre de revólver.
Delírio, não. Devaneio.
Ele me comove em cheio.
E me remove. Pro meio
do século dezenove.
Poema inédito de Jorge Emil (2010)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
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