Tudo — não só os imprevistos
da semana que entra,
uma dívida futura
que talvez me atormente,
um prenúncio das doenças
reservadas ao final;
tudo — aquele dia obscuro
do ano de oitenta e oito,
o nojo adolescente
pensando o dentro do corpo,
a primeira taquicardia
do primeiro namoro,
o garoto estupefato
diante do avô morto
debaixo do dilúvio;
tudo — estou me afogando
em vésperas — tudo
está por acontecer.
Do livro Pequeno arsenal, de Jorge Emil, editora Bom Texto, RJ, 2004
quinta-feira, 24 de julho de 2008
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