sábado, 17 de maio de 2008

Ameaça

A paciência que se perde e que não volta.
Inocência era verde, madurou, sumiu.
Mortinhos os poetas de que gostas.
Gente sumida, nunca mais, animais
de estimação, silêncios
atrás de portas. Só os teus gritos
— a um tempo longínquos e horrendos —
continuam sendo, encerrados no sótão.
Se eu abrir,
eles voltam.


Do livro O dia múltiplo, de Jorge Emil, Editora Bom Texto, 2000

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